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Matéria sobre calçadas no JT

Saiu no Jornal da Tarde do dia 06/03/10 uma matéria sobre calçadas onde dei uma entrevista.

Segue o texto completo, que fala sobre a padronização e manutenção dos pisos dos passeios em São Paulo.

Calçadas podem ter 4 tipos de piso

O responsável pelo passeio é o dono da casa. Decreto de 2005 estabelece os padrões

Eleni Trindade, eleni.trindade@grupoestado.com.br

De um lado, a calçada é um espaço público usado diariamente por todos os tipos de pessoas. Do outro, é privado. É o dono do imóvel, o responsável pela construção e conservação do pavimento entre a rua e sua casa, sob pena de multa – na capital paulista o valor pode chegar a R$ 460.

De acordo com os especialistas, o ideal é que os passeios sejam seguros e funcionais. “Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a calçada é um espaço público, ela não pode ser tratada da mesma forma que a casa das pessoas, onde cada um faz o que quer. Ela faz parte do contexto urbano”, diz a arquiteta Carla Dichy. A profissional enfatiza que o espaço deve ser seguro para qualquer pedestre. “Por ali passam cadeirantes, idosos, crianças que apenas começaram a andar, jovens distraídos e grávidas, enfim, é preciso pensar no uso coletivo da calçada em vez de priorizar o lado estético.”

A Prefeitura da São Paulo estabelece as regras para a calçada ideal, a começar pelos quatro tipos de piso: pavimento intertravado, placas de concreto, ladrilho hidráulico e concreto moldado no local (veja quadro).

“Os quatro pisos determinados pela Prefeitura foram testados porque são mais seguros, oferecem acessibilidade para todos, inclusive para quem tem mobilidade reduzida e deixam as calçadas mais bonitas. Os passeios feitos nesses padrões são bons tanto para o donos de imóveis quanto para os pedestres”, afirma Karla Cunha, arquiteta que mantém o blog www.karlacunha.com.br sobre arquitetura e sustentabilidade.

Mesmo com o estabelecimento de regras para o padrão arquitetônico em 2005, estima-se que 90% das calçadas da capital paulista contrariem o que diz o decreto 45.904, que regulamenta a execução dos passeios.

“Não só em São Paulo como em todo o Brasil quase não há acertos quando o assunto é calçada. A Lei de Calçadas da capital, por exemplo, deveria delimitar espaços maiores para os passeios públicos”, entende Silvio Soares Macedo professor titular de Paisagismo e chefe do departamento de Projetos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP). “Além disso, as pessoas não fazem manutenção necessária e chegam a invadir o espaço público com portões, vasos de plantas e outros absurdos.” Calçada danifica gera multa de R$ 92,35 a R$ 184,70; e a falta dela pode custar R$460.D

Manutenção é importante para garantir o acesso

O padrão exigido para as calçadas não se limita à construção. É preciso fazer manutenção periódica para manter a funcionalidade do passeio público. “As pessoas fazem a calçada e não querem mais ter preocupação com ela”, diz Silvio Soares Macedo professor FAU/USP. “Se uma concessionária de luz, água ou gás faz um serviço e quebra a calçada, o dono do imóvel, em grande parte dos casos, faz apenas um remendo e a calçada com o tempo fica intransitável.”

A lei que regulamenta a execução de calçadas (10.508), prevê que as concessionárias façam os reparos em passeios após obras para realização de serviços públicos. Assim, quem tiver a calçada danificada após uma obra relativa ao fornecimento de luz, gás ou água deve procurar a subprefeitura mais próxima para que o órgão público acione a empresa para fazer a reforma inclusive com o mesmo padrão de piso.

A arquiteta Karla Cunha ressalta, ainda, a importância da acessibilidade. “É preciso manter a calçada em boas condições, consertando rachaduras e buracos logo que surgem para garantir a passagem tranquila das pessoas”, afirma.

De acordo com ela, é recomendado usar pisos táteis para facilitar a passagem de deficientes visuais e cadeirantes, assim como de pessoas com mobilidade reduzida. “Pessoas nessas condições precisam ter o caminho facilitado.”

Acerte na escolha

Donos cometem erros básicos, como calçadas em forma de rampa e com pisos escorregadios

É preciso ter bom senso na construção de calçadas. Por falta de conhecimento ou por economia, muitas pessoas cometem erros básicos ao definir como vai ser o passeio. “Tem gente que faz da calçada inteira uma rampa para a entrada de veículos, quando o correto seria de apenas 2%, como determina a lei, outros fazem calçadas tão estreitas que mal permitem a passagem de uma pessoa”, explica Maria Elena Merege Vieira, professora do curso de Arquitetura da Universidade Mackenzie.

A fiscalização dos passeios é feita pelas 31 subprefeitura a partir de denúncias da população. O dono do imóvel é notificado e tem 30 dias para adequar o local e se livrar de pagar multa. O custo para fazer a calçada ideal varia muito, dependendo da escolha do material. No caso dos pisos permitidos, o preço varia de R$ 30 a R$ 150 o m2, em média, incluindo mão de obra.

“Não se deve usar pisos escorregadios como ardósia, granito polido e mármore para evitar acidentes e quedas. Existem várias opções disponíveis no mercado, como pedras mineiras, paralelepípedo, pisos cerâmicos texturizados e mosaico português”, diz a professora do Mackenzie. Segundo ela, esses materiais deixam o passeio bonito e atendem recomendações de segurança, mas devem passar por manutenção e conservação constantes. “É possível até intercalar pedaços de grama com os pisos escolhidos para permitir a drenagem de água”, completa. E.T.

O ERRADO E O CERTO

ERROS MAIS COMUNS
Inclinação exagerada, transformando a calçada em verdadeiras rampas de acesso a garagens. O passeio deve ser o mais plano possível para facilitar a passagem de qualquer tipo de pessoa com segurança.

Buracos e rachaduras nunca consertados

Pisos escorregadios, como mármore, azulejo, granito polido e ardósia Obstrução do caminho com barreiras como vasos de plantas, árvores, lixeiras e bancos

QUE DIZ A LEI
A calçada ideal deve ter três faixas: de serviço, livre e de acesso. A inclinação deve ser entre 2% e 8%

A faixa de serviço (onde ficam postes e árvores) deve ter no mínimo 75 cm e ser próxima da rua. A faixa livre, com 1,20 m, é reservada à circulação. A de acesso não tem largura definida, mas deve facilitar a entrada nos imóveis

O piso deve ser de concreto ou ladrilhos para passeios. A lei autoriza ainda o uso de placas de concreto ou concreto moldado no local e também ladrilhos hidráulicos

As esquinas devem estar desobstruídas. O mobiliário urbano de grande porte (postes) deve estar a 15 metros do eixo da esquina, e o de pequeno e médio portes (lixeiras) a 5 metros

Veja as regras para calçadas na capital no site www.prefeitura.sp.gov.br/passeiolivre

Outra página com dicas úteis sobre o assunto é www.solucoesparacidades.org.br, mantida pela Associação Brasileira de Cimento Portland.

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Evento sobre calçadas

calçadas

Acabei de me inscrever no “2º Seminário Paulistano de Calçadas – Calçadas Seguras, responsabilidade de todos”, que acontecerá no próximo dia 06/11/09, na Câmara Municipal de São Paulo.

O evento é gratuito e contará com a presença de representantes da área de acessibilidade, arquitetos e urbanistas, paisagistas, atletas para-olímpicos e representantes políticos.

Eu já havia postado aqui no blog sobre calçadas e o Programa Passeio Livre e essa será uma grande oportunidade para entendermos e discutirmos melhor sobre o projeto e as condições lamentáveis que se encontram as nossas calçadas.

Não perca tempo e faça logo a sua inscrição.

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Calçadas em São Paulo

Eu já havia postado sobre as calçadas de São Paulo e o Programa Passeio Livre, mas infelizmente, o descaso quanto às condições das calçadas para o uso de todos ainda é muito grande.

Todas as pessoas têm o direito de ir e vir, parece obvio, não é mesmo? Mas são poucos os locais que oferecem condições para que idosos, gestantes, pessoas com dificuldade de locomoção ou portadores de deficiências físicas exerçam esse direito.

Somente ilustrando um exemplo do meu caminho diário ao trabalho, imaginem se uma pessoa com alguma restrição das citadas acima resolve entrar na Rua Roberto Hottinger, em Pinheiros.
Eu, que enxergo e ando a pé sem dificuldades, preciso caminhar pela rua, pois o passeio apresenta péssimo estado de conservação ou encontra-se obstruído em vários pontos, por lixo ou entulhos acumulados.

calçada obstruída na rua roberto hottinger

calçada obstruída na rua roberto hottinger

passeio em péssimo estado na rua roberto hottinger

passeio em péssimo estado na rua roberto hottinger

Lembrando que uma calçada acessível é aquela que permite o trânsito de adultos, crianças, idosos, pessoas em cadeira de rodas ou carregando malas, carrinhos de compras, de forma segura e confortável.
Por isso, toda calçada deve ter uma área livre de obstáculos (faixa livre), com o piso de material adequado e em boas condições.

Que tal começarmos a prestar mais atenção às nossas calçadas?
Se você quiser mandar imagens dos verdadeiros acidentes geográficos que temos aqui em São Paulo, eu publicarei aqui no blog!

Além de prestar mais atenção, precisamos exigir melhores condições do nosso espaço e equipamentos urbanos, para que cada vez mais pessoas possam usufruir de locais acessíveis.
Isso não é boa ação, o direito à acessibilidade é garantido em Lei Federal.

Conheça também a campanha Acessibilidade Siga essa Ideia.

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Adote uma calçada

logo_passeio_livreVocê sabia que qualquer instituição, empresa ou cidadão pode adotar uma calçada para construção, reforma ou conservação do passeio público?

As empresas poderão, inclusive, divulgar mensagens de cooperação na calçada adotada por meio de placas fixadas no próprio piso.
Para participar, basta preencher o formulário disponível no site do Programa Passeio Livre ou entrar em contato com a subprefeitura da região.

No dia 25/05/09 eu postei sobre o Passeio Livre, onde disponibilizei o arquivo da cartilha do programa, que contém as regras para a manutenção da sua calçada.

representação de calçada l imagem: prefeitura de são paulo

representação de calçada l imagem: prefeitura de são paulo

Lembrando que uma calçada acessível é aquela que permite o trânsito de adultos, crianças, idosos, pessoas em cadeira de rodas ou carregando malas, carrinhos de compras, de forma segura e confortável.
Por isso, toda calçada deve ter uma área livre de obstáculos (faixa livre), com o piso de material adequado e em boas condições.

Que tal começarmos a prestar mais atenção às nossas calçadas?
Se você quiser mandar imagens dos verdadeiros acidentes geográficos que temos aqui em São Paulo, eu publicarei aqui no blog!

Fonte: Prefeitura de São Paulo

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