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Abraçador de árvores

Você sabe como surgiu o termo abraça-árvores ou abraçador de árvores, usado para rotular, de maneira pejorativa, as pessoas que atuam a favor das causas ambientais?

Uma das expressões mais comoventes dos primeiros esforços de conservação do meio ambiente aconteceu na Índia, na década de 1730, quando um grupo liderado por Amrita Devi, uma matriarca da Bishnoi – uma seita hindu proveniente do Rajastão, no noroeste da Índia, conhecida por se dedicar à proteção do meio ambiente e por acreditar na natureza sagrada da árvores – frustou os esforços do marajá de Jodhpur, que pretendia derrubar as árvores da região para dar lugar a edificações.

Embora os relatos variem bastante, sabe-se que, um a um, os habitantes do vilarejo encontraram a morte à medida que foram cercando as árvores na frente dos empregados do marajá.
Diz-se que, antes de morrer, Amrita Devi disse: “Vale a pena salvar uma árvore, mesmo ao custo de uma vida”.

Até que os esforços de construção fossem abandonados, 362 pessoas de todas as idades perderam suas vidas.
Em resposta à tragédia, as árvores passaram a ser protegidas por decreto real.

Essa antiga forma de protesto hindu deu origem ao Movimento Chipko, também na Índia, na década de 1970, no qual surgiu o termo tree hugger ou abraçador de árvore.

Quem sabe essa história não inspire as pessoas que hoje nem se importam em colocar abaixo uma árvore que esteja obstruindo o seu caminho?

Fonte: “Projeto de Edificações Sustentáveis”

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Casa Vita

A empresa espanhola Egoin Bilbao, especializada em construção em madeira, lidera um projeto super bacana, que busca a edificabilidade em termos de eficiência energética.

fachada casa vita | imagem: flickr casa vita

Trata-se da Casa Vita, primeira casa construída na Espanha que assume e supera os padrões estabelecidos pelo selo alemão Passivhaus, e que produz mais energia do que consome.

“Esta é uma iniciativa da I+D+i, destinada a avançar no conhecimento da construção como resposta responsável às necessidades energéticas de um planeta com recursos limitados que devem ser preservados. Tal aposta resultou na Casa Vita, a primeira construção feita no âmbito do projeto Vita”, explica o gerente comercial da empresa, Unai Gorroño.

Na sua construção foi dada prioridade ao uso de materiais biodegradáveis, renováveis, ecológicos e produzidos pelos arredores da construção, conceitos de eficiência energética e o uso seletivo de recursos.
Além disso, seu design, que combina estética e funcionalidade, procura a máxima integração e respeito ao meio ambiente, e o tamanho compacto do prédio leva a uma maior economia de energia.

Projetos sustentáveis no Brasil

Cada vez mais as pessoas se interessam por projetos que tragam benefícios, tanto econômicos como de bem estar, aos seus imóveis e usuários, e buscam também contribuir positivamente para a preservação do meio ambiente.

A Item 6 segue essa linha de trabalho e também busca aproveitar ao máximo os recursos naturais oferecidos, de modo a minimizar os impactos ambientais decorrentes de uma intervenção arquitetônica.

Espero que projetos e construções sustentáveis passem logo a ser a única opção para as edificações de nossas cidades e que não sejam mais vistos como diferenciais para poucos.

Fonte: mundo sustentável

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Jardins filtrantes

Você já ouviu falar nos jardins filtrantes?

Trata-se de uma tecnologia, também conhecida como fitorestauração, que consiste no uso de plantas para tratar esgotos domésticos e efluentes industriais.

Além da estética oferecida pelo paisagismo, suas plantas e microorganismos capturam e digerem matéria orgânica, fuligem e outros materiais que, do contrário, correriam direto para rios e lagos, perturbando o seu equilíbrio.

jardim filtrante criado pelo engenheiro francês thierry jacquet

Os jardins filtrantes são uma das soluções mais bem sucedidas para tratar águas usadas (eliminação de cargas orgânicas, azoto, fósforo, desinfecção de germes, biodegradação de novas moléculas, entre outros).

Como essa tecnologia tem como base a absorção dos resíduos pelas plantas, não há decomposição dos resíduos ou qualquer processo químico que resulte em geração de gás, eliminando o mal cheiro durante o ratamento.
Isso possibilita a aplicação desse sistema em locais próximos a moradias ou locais públicos.

Tratamento de efluentes

Segundo a SABESP (Compania de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), os jardins filtrantes também se mostraram a opção mais ecológica no tratamento de lodo contaminado e, obviamente, de recuperação e preservação de rios.

No caso do lodo, as ações são por meio da rizosfera, que é a região onde o solo e as raízes das plantas entram em contato. O número de microrganismos na raiz e à sua volta é muito maior do que no solo livre e os tipos de microrganismos na rizosfera também diferem do solo livre de raiz.

Quarenta tipos de efluentes podem ser tratados através da técnica dos jardins filtrantes, além do lodo também poder se transformar em adubo.
Através da fitorestauração podem ser condicionados os lodos de ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto), eliminando a necessidade de disposição de aterros sanitários, produzindo, então, um composto fertilizante.

Através da aplicação dessa técnica,  solos contaminados, rios e lagos podem ser  recuperados e revitalizados.

Vídeo

O vídeo a seguir, apresentado no programa Cidades e Soluções, mostra como os jardins filtrantes estão contribuindo na despoluição do Rio Sena, na França.

Para maiores informações sobre como implantar os jardins filtrantes em seu projeto ou empreendimento, entre em contato com a Item 6 Arquitetura e Sustentabilidade.

Fonte: Arquitetônico, Phytorestore e SABESP

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Masdar City, a cidade “sustentável”

Um projeto arquitetônico grandioso promete transformar as dunas de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, no modelo de cidade do futuro.

Batizada de Masdar City, a construção tem a sustentabilidade como foco,  promete ser isenta de emissões de CO2, e, para isso, contará com tudo que o conhecimento humano e o dinheiro dos maiores petroleiros árabes podem conseguir, como tecnologia de ponta e investimento da casa dos US$ 22 bilhões.

maquete eletrônica de masdar city | fonte: exame

A iniciativa vai abrigar 40 mil habitantes e 1,5 mil empresas de tecnologia limpa, além do já operante Masdar Institute of Science and Technology, uma universidade com foco em pesquisa e inovação, desenvolvida em cooperação com o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e o Imperial College.
Também será instalada, na região, a sede da IRENA (International Renewable Energy Agency) que hoje funciona em Abu Dhabi.

Por ironia ou não, o projeto, resultado de uma parceria do governo local com os sultões do “ouro negro” dos Emirados Árabes, visa ser um modelo que ajude a preparar o país para a era pós-petróleo, na qual o mundo terá que se adaptar em todas as esferas de produção e consumo.

O Emirado planeja suprir 7% de suas necessidades energéticas com fontes renováveis em apenas uma década.
Há dois anos em construção, Masdar City deverá ser concluída em 2016.

O projeto arquitetônico

Segundo o responsável pelo projeto, o renomado arquiteto inglês Norman Foster, o resultado de tanto empenho será uma cidade com matriz energética 100% renovável, uso exclusivo de transporte público, refrigeração natural dos edifícios e ruas da cidade baseada na arquitetura árabe tradicional, e até documentação dos habitantes totalmente digital para evitar o uso de papel.

Todas as ruas de Masdar contarão com prédios projetados em ângulos que facilitam a criação de sombras e ajudam na manutenção de uma temperatura agradável.
A cidade estará livre de consgestionamentos, onde o sistema de transporte, todo elétrico, vai operar no subsolo.

Questões sociais

Mas será que a cidade ultra-sustentável será mesmo um modelo possível de ser reaplicado em todo o mundo?
Para o crítico em arquitetura do jornal New York Times, Nicolai Ouroussoff, o projeto não passa de uma “Disneylândia” verde.
Em um artigo publicado no jornal de domingo, 26 de setembro, Ouroussoff falou sobre as impressões de sua visita ao projeto, que já está pronto para receber os primeiros moradores.

Para Ouroussoff, a cidade não é apenas uma miragem futurista e tem muitos pontos positivos, como a integração entre tecnologias de última geração e o design antigo das cidades árabes, inserida em uma sociedade que convive com o tradicional e o moderno diariamente. “Uma visão que, a princípio, transborda esperança”, afirma.

Mas basta ser analisado mais profundamente para que o projeto comece a revelar seus pontos fracos.
Segundo a questão levantada por Ouroussoff, a aparente sustentabilidade de Masdar City pode estar fadada a permanecer presa na areias de Abu Dhabi, e inacessível ao resto da humanidade.

“O projeto reflete uma mentalidade de condomínios fechados que tem se espalhado pelo mundo como um câncer durante décadas. Sua pureza utópica e seu isolamento da vida das cidades reais estão fundamentados na crença, ao que me parece aceita pela maioria das pessoas hoje, de que a única maneira de criar uma comunidade verdadeiramente harmoniosa, verde ou não, é isolando-a do mundo em geral”.

E o economicamente viável e socialmente justo, onde ficam?
Por que o projeto não busca atender aos problemas já existentes nas grandes cidades (que não são poucos)?
Ao meu ver, criar uma utopia no meio do nada, perfeitinha e em um ambiente totalmente controlado acaba sendo bem menos complexo do que enfrentar todos os problemas sociais existentes no mundo real.

Apesar de todo o incrível investimento tecnológico do projeto, com soluções que devem mesmo ser disseminadas ao mundo, vejo Masdar City como mais um exemplo de sociedade privilegada em busca de conforto e que se esconde cada vez mais daquilo que não quer ver.

Fonte: Exame e Terra

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