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Evento sobre acessibilidade

No último dia 09, participei de um evento da AVAPE (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência) onde vários palestrantes falaram sobre estabelecimentos acessíveis.

Entre os projetos apresentados estavam o Hotel Fazenda Campo dos Sonhos, localizado na cidade de Socorro – SP, que desenvolveu, através de muita pesquisa e dedicação, o turismo de aventura adaptado a diversos tipos de deficiências.

tiroleza adaptada | imagem: campo dos sonhos

A cidade de São José dos Campos – SP, estava representada pelo Programa Calçada Segura, que visa transformar as calçadas da cidade em locais mais seguros para a circulação de pedestres, especialmente idosos, pessoas com deficiência, mães com seus filhos em carrinhos de bebê, ou outras pessoas com dificuldade de locomoção, que sofrem com calçadas em mau estado.

A Galeria Tátil da Pinacoteca do Estado também foi apresentada no evento.
O museu desenvolve o projeto de inclusão às pessoas deficientes, se preocupando com todos os detalhes necessários à adequada contemplação das obras.

O turismo adaptado também foi muito comentado no evento, mas ainda estamos muito aquém do que deveríamos em relação ao assunto.
Infelizmente, a maioria dos empresários dos setores que envolvem o turismo aqui no país, ainda não percebeu que atender ao turista com deficiência com respeito é, sem dúvida, um nicho promissor de negócio e que sairá na frente quem pereber isso o quanto antes!

A Item 6 Arquitetura e Sustentabilidade está desenvolvendo o projeto arquitetônico e paisagístico de uma pousada sustentável em Minas Gerais e a acessibilidade já foi contemplada desde a sua concepção.

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Vagas para gestantes

Aos 7 meses de gravidez, tenho sentido muito na pele o que as pessoas com mobilidade reduzida passam em seu dia-a-dia.

Entende-se por pessoa com mobilidade reduzida aquela que, temporária ou permanentemente, tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo.

Na maioria das vezes a necessidade de adaptação dos espaços é associada aos portadores de deficiência física, mas pessoas idosas, obesas e gestante, por exemplo, nem sempre são lembradas.

Alguns shoppings e supermercados dispõem de vagas para gestantes e hoje fiz questão de usar a minha no Walmart.

vaga de estacionamento para gestantes no walmart

Para muitas pessoas pode até parecer desnecessário ter uma vaga preferencial como essa, mas posso garantir que elas nos ajudam muito, principalmente por sua proximidade aos acessos principais dos estabelecimentos.

Também faço muito uso dos assentos preferenciais do metrô, mas no início da gravidez, quando eu mais precisava deles por causa do mal-estar, os demais usuários me olhavam com cara feia e era bem desagradável.

Os elevadores nas estações também nos ajudam bastante, aliás, o Metrô de São Paulo é um exemplo de acessibilidade que deveria ser seguido por outros órgãos públicos do país.

Outros diferenciais do Metrô

Nas estações, é possível solicitar o atendimento preferencial, o qual pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, pessoas com crianças de colo, idosos e gestantes têm direito.

Nele é possível comprar bilhetes ou passar pelos bloqueios sem permanecer nas filas, além de usar os elevadores das estações e o assento preferencial nos trens.

Além disso, o acesso de pessoas portadoras de deficiência visual acompanhadas de cão-guia é permitido em todas as estações e trens do Metrô.

Conheça melhor os serviços prestados pelo Metrô às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

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Acessibilidade nas ruas

É sempre bom mostrar os exemplos, tanto positivos como negativos, que encontramos em nosso dia-a-dia sobre acessibilidade.

E hoje eu tenho algumas imagens que traduzem bem as dificuldades encontradas, não só por portadores de alguma deficiência física, como por pessoas com mobilidade reduzida (idosos, gestantes, pessoa com bengala, entre outros).

Em plena Av. Paulista, por exemplo, não sei como uma dessas pessoas poderia entrar no edificio abaixo, pois seu acesso só pode ser feito através da imponente escadaria em granito.

escadaria de acesso ao edifício na av. paulista

Outra situação lamentável é a do CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), na cidade de Formosa, GO.
O órgão que deveria fiscalizar a acessibilidade nos edifícios, dá o vergonhoso exemplo contrário, logo em sua entrada principal, conforme postado no blog sustentabilidade e acessibilidade.

entrada principal do crea-go, em formosa | imagem: sustentabilidade e acessibilidade

Porém, existem outras situações onde realmente não há solução, como é o caso da Rua Flávio de Melo, na Vila Mariana.
O grande desnível do terreno fez com que os loteamentos da região tivessem que se adaptar dessa maneira, e se já fica difícil para um pedestre, sem quaisquer dificuldades, enfrentar essa ladeira, imagina só se um cadeirante poderia fazer o mesmo!

ladeira e degraus em passeio na vila mariana

Pena que aqui em São Paulo temos muito mais exemplos negativos do que positivos, em se tratando de acessibilidade, mas acredito que existe hoje uma forte tendência para alteração desse triste quadro.

Confira o que já foi postado no blog sobre acessibilidade.

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Matéria sobre acessibilidade

Essa semana foi ao ar uma matéria sobre acessibilidade no site do iG, onde dei uma entrevista, e que gostaria de compartilhar com vocês.

Acessibilidade dentro de casa

Saiba como adaptar uma residência aos usuários de cadeiras de rodas com segurança, conforto e liberdade
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Lívia Alves, iG São Paulo | 06/02/2010 20:25

Rampa de acesso, piso com superfície regular e espaço de circulação são essenciais

Nada melhor do que chegar em casa e poder desfrutar de conforto e liberdade. A habitação é um ambiente particular, onde cada um impõe suas necessidades e busca sua identidade. Esse é um direito de todos, inclusive daqueles que vivem em cadeiras de rodas.

Segundo estatísticas do IBGE, no Brasil, existem mais de 9.300 cadeirantes e, mesmo assim, ainda é muito difícil encontrar lugares adaptados ou próprios para essas pessoas. “Passei cinco anos procurando um lugar para morar que tivesse o mínimo de acessibilidade, com rampas e um bom espaço externo”, diz a vereadora de São Paulo Mara Gabrilli, que ficou tetraplégica após um acidente de carro, em 1994.

Tornar a residência acessível é dar possibilidade e condição de acesso, circulação, aproximação e alcance a um usuário de cadeira de rodas. De acordo com a doutora em arquitetura inclusiva e diretora-presidente do Instituto Brasil Acessível, Sandra Perito, é a junção desses elementos que torna a residência um lugar seguro, confortável e apto a um cadeirante.

Facilite o acesso

Oferecer condição de acesso é eliminar qualquer desnível que possa existir no decorrer no percurso. “Todo piso deve ter superfície regular, firme, estável, antiderrapante e que não provoque trepidações”, afirma a arquiteta Karla Cunha. Além disso, é importante que os capachos sejam embutidos no piso e os tapetes ou forrações tenham suas bordas firmemente fixadas. Caso contrário, simplesmente elimine esses objetos.

Libere a circulação

Outra condição muito importante ao cadeirante é a circulação. “A idéia principal de adaptar um lugar é dar total independência ao morador deste local, dar espaço suficiente para que ele consiga se movimentar o máximo possível, diz Sandra.

No caso dos usuários de cadeiras de rodas, uma das recomendações mais importante dentro de um lar é que ele tenha uma área de giro de 360º para se mover com total liberdade e autonomia. “Gosto de ser livre, de me movimentar. A pior coisa é ter que chegar em casa, depois de um dia inteiro de trabalho e ficar fazendo manobras para entrar nos lugares”, afirma Mara.

Segundo a arquiteta especializada em acessibilidade, Thais Frota não é necessário um lugar imenso para que o cadeirante tenha liberdade e sim, que o espaço, seja bem projetado com todas as devidas recomendações.

Aumente os espaços

Bancos fixos e barras de sustentação no boxe dão maior segurança ao cadeirante

“As portas precisam ter no mínimo 80 cm de vão livre, os corredores, 1,20 m de comprimento e, no caso de prédios, os elevadores têm que medir 80 cm de largura x 1,20 m de comprimento”, explica Thais. Além disso, recomenda-se colocar bancos fixos e barras de sustentação dentro dos boxes do banheiro para facilitar o banho dos cadeirantes.

As barras de sustentação, que também são colocadas ao lado do vaso sanitário devem ter 70 cm de comprimento e precisam estar a 75 cm do chão. “No boxe é correto colocar duas barras de apoio, uma na vertical e outra na horizontal e no vaso sanitário uma de casa lado”, afirma Thais.

Apesar de serem medidas maiores que o normal, como no caso das portas, corredores e elevadores, a vereadora Mara Gabrilli garante que existem alternativas que equilibram esse espaço e não atrapalham os usuários de cadeiras de rodas, como utilizar portas de correr e tirar as paredes da residência. “Meu quarto e banheiro são unidos. Isso facilitou muito o deslocamento e trouxe conforto”, relata Mara.

Garanta a aproximação

Para melhor aproximação é necessário tirar os gabinetes das pias da cozinha e banheiro

A aproximação é a terceira condição para que o cadeirante sinta-se a vontade em sua própria residência. “O mais importante é retirar todos os gabinetes e colunas sob os lavatórios, pois o usuário de cadeira de rodas precisa do espaço inferior livre para que a cadeira e suas pernas possam se adequar ao ambiente”, afirma Thais.

O portador da cadeira de rodas necessita poder alcançar peças e objetos para realizar todas as suas atividades. Neste caso é preciso prestar atenção quanto a altura e distancia de torneiras, janelas, espelhos, mesas e interruptores.

Segundo Sandra Perito, para maior conforto do cadeirante é recomendado colocar as torneiras ao lado da pia. Além disso, as janelas têm que ser baixas (80 cm) para facilitar a visualização de fora e os interruptores adaptados ao alcance de todos, sejam cadeirantes ou não. Nos espelhos recomenda-se uma inclinação de 10º para frente.

Conforto individual

As torneiras devem ser fixadas ao lado da pia para facilitar o alcance

Apesar de todas essas recomendações em medidas, quando se fala em residências particulares adaptadas não existe um tamanho padrão e sim medidas individuais. “Estamos sempre nos baseando na norma da ABNT NBR 9050 (Associação Brasileira de Normas Técnicas), de 2004, mas quando adaptamos residências particulares, o importante é verificar a necessidade e medidas específicas de cada pessoa”, afirma Thais.

“No início, uma das coisas que eu menos gostava era tomar banho sentada no banco dentro do chuveiro. Depois que eu descobri a banheira, minha vida mudou. Com o tempo, dentro do novo lar, a pessoa descobre suas necessidades e procura adaptá-las”, diz Mara.

Mesmo assim, segundo Karla, nas áreas comuns, como entradas de prédios, jardins e áreas de lazer, essas adaptações padrões são obrigatórias e devem ser cobradas por todos, principalmente pelo responsável do condomínio ou prédio.

Acessibilidade também nas áreas comuns

“Aqui no prédio, nós modificamos a calçada da frente e colocamos um elevador para acessar a piscina interna, pois antes só tinha escadas”, diz Lucas Alvarez, arquiteto e síndico do prédio da vereadora Mara Gabrilli.

Sob sua orientação também foi instalado piso antiderrapante sem desníveis na calçada da frente e na área de circulação interna do edifício. “Temos que transformar a realidade para que se tenha mais opções de moradias para usuários de cadeiras de rodas no Brasil”, finaliza.

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